6 “nãos” que todo UX Designer deve ter em mente

Hoje muito se fala sobre UX Design. Vemos o termo sendo aplicado de diversas formas, sendo abordado de pontos de vista diferentes, gerando polêmica em alguns artigos e mostrando que o assunto deve ser profundamente estudado, principalmente para os aspirantes da área, de forma que compreendam com clareza o que ele significa.

Muitas das vezes, para que se possa entender com maior facilidade o que faz parte de um escopo, ou o que queremos, é necessário pensar no que não queremos e no que não faz parte do escopo também.

Partindo deste princípio, vamos abordar 6 “nãos” que todo UX Designer, ou todo aspirante à UX Designer, deve ter em mente.

1 – UX Design NÃO é só Design

Quando ouvimos este nome pela primeira vez acabamos gerando essa interpretação e associamos o Design como o trabalho de um UX Designer.

Porém, ao contrário disso, a rotina desse profissional envolve pouquíssimas vezes softwares gráficos e muito mais planilhas, dados, pesquisas, reuniões e outros métodos que fazem o cotidiano da área ser, em sua grande parte, longe do computador.

Quando falamos sobre Design, estamos falando com maior precisão da área de UI Design que é responsável pelo desenho das interfaces. O UI é apenas uma das áreas que a Experiência do Usuário engloba.

O trabalho de um profissional de UX pede que ele esteja presente e envolvido desde o início do projeto até depois do lançamento, de forma que ele analise, acompanhe, monitore e até melhore continuamente o produto lançado.

As decisões sobre o Design fazem parte do processo, porém, existe um trabalho árduo antes de chegarmos a criação das telas. Deve-se compreender que wireframe, sitemaps, protótipos, fazem parte do conjunto mas não é só isso.

A complexidade da área envolve não só a análise dos elementos de interação com o produto, como duplo-clique, duplo toque, slide para abertura de tela, posicionamento dos botões e etc.

Mas também, reflexões em torno de qual necessidade o usuário possui para que meu produto possa agregar valor para ele e se ele voltará a utilizá-lo outras vezes.

2 – UX NÃO tem respostas certas

A primeira parte de um trabalho em UX requer a busca por perguntas e não por respostas. Tendo feito uma interpretação clara do problema, será muito mais fácil encontrar a solução adequada.

Além de facilitar todo o processo no geral, saber as perguntas certas também auxilia na apresentação da solução criada, de forma que ela seja comunicada com clareza para o restante da equipe.

Afinal, por melhor que seja a solução, se o restante do time não a compreende, o valor se perde.

Quanto mais questionarmos, quanto mais perguntarmos “como” e “porquê” para cada funcionalidade, interação, ideias e etc, mais próximos estaremos de experiências mais assertivas, que vão de encontro com a satisfação do usuário.

Muitas das vezes nesta área, a busca por perguntas certas parte de hipóteses, mas nada em UX deve ter como base um simples “eu acho”.

Em outras palavras, cada hipótese deve ser validada sempre que necessário e para isso utilizam-se de testes, entrevistas, protótipos, novas reuniões, analytics e tudo o que for preciso para projetar a solução mais correta possível.

3 – Usuários NÃO são todos iguais e você NÃO é usuário

Vale muito a pena compreender que o UX Designer, tem como papel representar o usuário e defendê-lo em cada uma das etapas do projeto.

Ele precisa saber quem é esse usuário, qual a necessidade, de onde ele vem, e muitas outras informações que vão auxiliar na hora de equilibrar os objetivos do projeto com a satisfação desse usuário ao utilizá-lo.

Existem muitos produtos parecidos no mercado, muitos serviços idênticos, cujo diferencial é uma ótima experiência, projetada com cautela, que permite ao usuário querer usar ou ter aquele produto específico mesmo diante dos concorrentes, gerando o que chamamos de preferência e fidelidade.

Devemos compreender não só sexo, lugar onde mora ou faixa etária e sim pesquisar aspectos emocionais, necessidades, objetivos, o cenário da vida desse usuário, suas reações, e assim criar algo sob medida para este perfil encontrado.

Ouve-se muito falar sobre Personas e na forma como elas nos ajudam a criar usuários ficcionais que poderão ser utilizados como referência para criação, validação e informação para o projeto.

Quando criamos proto-personas, criamos em cima de hipóteses, mas é através de técnicas como enquetes, testes, entrevistas, pesquisas quantitativas e outras, que conseguimos validar essas hipóteses.

Por isso é essencial sair da frente do computador e ir de encontro aos seus usuários, conversar e identificar:

  • Comportamentos
  • Padrões

  • Tipo de personalidades

  • Necessidades

  • Objetivos

  • Dores e etc.

Lembre-se sempre que você não é usuário. Não se deve validar hipóteses com você mesmo, pois ainda que você tenha perfil parecido com o tipo de público que o projeto deseja atingir, você não é território neutro!

Sendo assim, Prepare as anotações e vá ao encontro de seus usuários.

4- UX NÃO é só para produtos digitais

Todos os processos que fazem parte da área podem ser considerados uma fusão de outras áreas como Psicologia, Engenharia, Design, Tecnologia, usando conceitos de Ergonomia e Design Centrado no Usuário que já existem há anos.

Dessa forma, ainda que muito se ouça sobre a aplicação em produtos digitais, também é possível encontrar a área de Experiência do Usuário na criação de serviços, objetos e até ambientes, tudo feito a partir da identificação das interações que o usuário terá com estes produtos.

5- UX NÃO é função de uma pessoa só.

Como já dito anteriormente, a área de UX requer muitas reuniões, muita conversa e muito debate. Desde as pesquisas iniciais até o código: Todo o esforço deve ser feito por uma equipe multidisciplinar.

Um projeto deve ser feito por um time que engloba diferentes áreas, com diferentes visões, onde em sessões colaborativas, reuniões ou bate-papos ocorre a mediação destes diferentes pensamentos de forma a estruturar o projeto e levá-lo com maior facilidade ao objetivo desejado.

6 – UX Designer tem que saber dizer NÃO!

Um estrategista de UX precisa saber dizer “não”. Nem tudo é ideal para um projeto!

Seguir tendências nem sempre é o melhor caminho, por exemplo, nem todos os usuários saberão encontrar um menu hambúrguer ou terão uma boa experiência ao utilizar uma rolagem infinita.

Deve-se compreender que as tendências se tornam tendências porque estão dando certo, porém, será que o meu perfil de usuário combina realmente com o que está na moda atualmente?

O Design não é mais importante do que usabilidade, fazer algo diferente nem sempre trará benefícios.

Ainda existem Designers que desejam fugir do padrão, como por exemplo, retirando o menu de navegação do topo, no entanto, já existe um comportamento padrão em nossos usuários: para navegar eles vão procurar o menu no topo.

Sendo assim, fugir do padrão pode gerar rejeição em alguns casos.

Cada projeto é um projeto! Cada público tem suas características e nem sempre, por mais que você queira, seguir determinado caminho será bom para ele. E para não ter dúvidas de qual caminho seguir, todos os pontos citados neste artigo serão de grande ajuda.

Obviamente, por ser uma área tão vasta, que engloba tantas características, esses são apenas alguns pontos e que podem (e devem!) ser aprofundados e gerar novas reflexões através de muita pesquisa, estudo e claro, “mão na massa”.

O que você achou dos “nãos” apontados neste artigo? Compartilhe seu ponto de vista nos comentários 🙂

Fique por dentro

(Última atualização em: 29 de maio de 2017)

  • Luiz Fellipe

    Excelente artigo.

  • Parabéns Mari!

    Artigo super importante, tanto para quem busca atuar na área de UX como para quem quer entender melhor quais são os papéis que o UX requerem.

    Achei super explicativo e direto ao ponto.

    Continue assim 😀

  • Excelente artigo! Ajudou bastante na leitura. Infelizmente eles sempre barram com os problemas de sempre, prazo, custo e ignorância dos clientes….

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