Como começar (e persistir) na carreira de 3d e Animação: do mergulho à aterrisagem, passando por algumas acrobacias.

(Última atualização em: 9 de maio de 2016)

Você provavelmente gosta de desenho, cinema, jogos e realidade virtual, mas gostaria de também poder criar suas próprias obras e viver disso; acertei? Se a resposta foi sim, e se você tem certa preferência por artes digitais ante as tradicionais – pela simples conveniência de poder gastar tinta à vontade sem se sujar – deve considerar o ingresso na carreira de 3d e Animação.

Mas enfim, por que usar pixels e ferramentas digitais, se é do lápis e papel que as idéias tomam forma? Um dos atrativos das artes digitais, além da flexibilidade de edições posteriores, é que elas podem ser programadas para simulações, imersões e realidades virtuais singulares, direcionáveis a diversos propósitos além da simples – mas não menor – apreciação estética. Inicialmente escolhi o 3d pelo prazer de criar sem me sujar de tinta mesmo, e só depois de algum tempo visumbrei inúmeras outras aplicações.

O mergulho

Por mais que alguém te descreva um salto de paraquedas ou um mergulho submarino, você só terá idéia daquela sensação se tiver tido alguma experiência semelhante, e mesmo assim ainda será uma tradução subjetiva feita a partir das suas próprias. Acontece o mesmo com qualquer experiência profissional específica, mas vou assinalar aqui o que foi importante no meu percurso – que começou no século passado, lá atrás em 1996 – e poderá vir a ser útil no seu percurso, que começa hoje, na crista da onda da computação gráfica.

Antigamente precisávamos criar um cubo com quadrados, e uma esfera com linhas, mas hoje em dia, com apenas um clique você transfere uma idéia de sua cabeça por neuroimagem transcraniana; com outro clique manda um protótipo pra impressora 3d portátil; e com mais outro clique faz tudo se tornar interativo numa realidade virtual ‘inacreditível’. Uau! Já tá fácil assim? Na verdade, não. Quem dera… Os carros ainda não estão voando, e a gente também tem que suar um pouco pra construir nossas imagens e filmes em 3d, mas garanto que está bem mais fácil do que no século passado. Porém, como o mercado de trabalho não mudou tanto quanto a tecnologia à disposição, vamos à pergunta simples de resposta complexa: por onde começar?

Algumas acrobacias

O começo de qualquer novo caminho coincide com o medo e com a esperança, traduzido em perguntas que fazemos a nós mesmos: será que conseguirei aprender? Será que é muito complicado? Trabalharei num grande estúdio como um especialista numa longa linha de produção? Preferirei um estúdio pequeno, porém generalista e com mais liberdade artística? Ou farei as coisas do meu jeito, ao meu tempo, e serei um tranquilo freelancer eremita? Só posso adiantar que a resposta pra todas estas perguntas não é importante agora.

Como um antigo filósofo estóico lhe aconselharia para lidar com o futuro: liberte-se do medo e da esperança. Foque no presente, que é o mesmo pra todos, independente de qualquer um destes futuros concretizáveis, e comece a estudar hoje mesmo, colocando a mão na massa. Garanto que a massa de pixels é mais limpinha que a de argila do escultor ou as tintas a óleo do pintor. Os atores virtuais também são mais flexíveis e menos sujeitos aos delírios da fama, que os atores reais. Logo, se está decidido a aprender mais e crescer na carreira, melhor dar um passo de cada vez. Se quer aprender culinária, começar por fazer um ovo cozido pode ser mais difícil do que parece. Mas se quer entrar na carreira de 3d e Animação, que tal começar agora mesmo, aprendendo a fazer um ovo cozido mutante?

Uma vez firme e decidido(a), seu primeiro objetivo será montar um portfolio (do latim, literalmente, um ‘carrega-folhas’) que nada mais é do que um site ou galeria de imagens com seus melhores (ou únicos) trabalhos. Mas como vou produzir trabalhos se ainda não tenho experiência alguma? Ora, os projetos que você executar em nossos cursos do Alura podem fazer parte de seu primeiro portfolio, pois afinal, foi você quem fez. Outra dica é se propor a executar algo dentro do seu potencial ou conhecimento adquirido, como se executasse um projeto para um cliente fictício.

Meu primeiro portfolio continha uma vinheta animada para o dinossáurico serviço de música Napster, uma cena inspirada no filme Matrix, uma moto copiada descaradamente do desenho Akira, e um ‘mech’ animado também plagiado do filme Robocop. Confesso que não fui nada original, o acabamento não era lá o melhor do mundo, e os respectivos autores nunca chegaram a ver minhas homenagens às obras deles, mas meu primeiro contratante viu e gostou bastante, e assim embarquei profissionalmente nessa jornada.

A dedicação diária aos estudos é essencial para construir um bom portfolio, então não hesite em sanar todas as suas dúvidas nos fóruns dos cursos enquanto prossegue. Perguntar muito e se colocar desafios também te faz progredir com mais segurança. Se você acha que não consegue realizar algo que está imaginando, tente começar por uma versão simplificada da mesma idéia, e vá do começo ao final da execução. Termine o que se propôs primeiro, e só então pule para a próxima idéia. Começar e não terminar algo, para seus futuros clientes ou contratantes, é o mesmo que não ter feito nada – por mais que você tenha aprendido um pouco no processo.

Mesmo que o resultado dos seus primeiros trabalhos fique aquém de sua expectativa, o importante é concluir e publicar. O feedback dos amigos e da família também é importante nessa fase – só o da mãe-coruja que não vale. Procure publicar suas imagens em comunidades de artistas iniciantes e experientes, como o CGSociety e o DeviantArt, buscando a opinião de estranhos e anônimos isentos da necessidade de elogio por mera camaradagem. Lembre-se: você pode melhorar seu porfolio com o tempo, mas se não finalizar cada pequeno projeto que se propuser, não terá sequer um portfolio.

As críticas de outros artistas e até de leigos ou iniciantes, o ajudarão a se aperfeiçoar, e seguindo a máxima do ‘fazer e terminar’, em breve você terá qualidade apresentável para conseguir sua primeira participação em uma equipe ou um projeto alheio. Repetindo: comece e termine, várias e várias vezes. Que seja simples, mas esteja feito, publicado, e comentado. E se não sabe como organizar, publicar e atualizar um portfolio que seja comentável, que tal começar dando os primeiros passos com o wordpress?

A aterrisagem

Aos poucos você incluirá trabalhos realizados como freelancer ou contratado fixo ao seu portfolio, mas isto é só o começo. Talvez surjam oportunidades na publicidade, na arquitetura, no cinema, na pré-visualização aeroespacial, quem sabe? Tudo dependerá do direcionamento que você der aos seus projetos iniciais e às ofertas de trabalho posteriores. Uma ilustração científica pode dividir espaço com um motion design completamente abstrato no mesmo portfolio? Sem problema. Se esta versatilidade te agrada, siga por ela. Só não suponha que por ter se safado de uma árdua e longa carreira em medicina – que seus pais ou avós tanto sonhavam, por exemplo – estará livre de constantes atualizações por toda a carreira.

Assim como o médico ou qualquer outro profissional sujeito a criteriosas exigências, o artista de 3d também está em constante aprendizado, pois as ferramentas evoluem, surgem novos métodos para resolver antigos problemas de maneira mais eficiente, e portanto, não podemos parar nunca de aprender se quisermos responder às necessidades sempre novas dessa caixa de pandora que é a era da informação.

Estamos nos aproximando rapidamente de um novo ciclo da experiência audiovisual (e tátil!). O desenho e a pintura um dia ganharam uma caixa escura, e surgiu a fotografia. Essa foi colocada em movimento pelo rotoscópio, e surgiu o cinema. O cinema era preto e branco (e mudo!) Com o tempo vieram as vozes e também as cores. Os videogames começaram como um ping-pong de quadradinhos preto-e-branco, e hoje praticamente estamos interagindo com um filme de cinema. Enfim, já desponta comercialmente a tão prometida realidade virtual.

As aplicações para essa míriade de possibilidades do 3d e da Animação, vão do tratamento de fobias à simulação de treinamento cirúrgico, passando por telepresença e simuladores para ‘n’ fins. A narrativa artística também já ganha uma nova modalidade: a de filmes imersivos. E neste turbilhão de possibilidades audiovisuais interativas, estão os artistas de 3d, animadores, roteiristas, programadores, e outros tipos de profissionais que não se contam numa mão só, dando fôlego e forma a esta nova etapa da representação artística e científica. As evoluções neste meio não param, e não desacelerarão tão cedo. E você, vai ficar aí assistindo e esperando, ou vai tomar coragem e pôr o pé na estrada e a mão na massa, seguindo nossas trilhas de design, UX, photoshop, ilustração, video, 3d e Animação; com novos cursos todo mês?

Comece um curso hoje mesmo: foque no presente, que o futuro dele depende.

  • Leonardo Pinheiro

    Eu fiz o primeiro curso de Softimage, e completei o Ovo Mutante. E fiz como você informou, publiquei a imagem em todas redes sociais para ter um feedback, e isso ajudou mesmo. Comecei a criar meu portfólio.
    Eu sei que após eu finalizar todos os cursos que tem de softimage do alura, eu estarei carente de conteúdo, quais sites você me indica para eu continuar com meu aprendizado? Sabendo que quero aprender outros softwares também, tudo que envolva textura, modelagem e animação em 3D.

    • Vinicius Vinci

      Oi Leonardo, se você gostou do Softimage e quiser continuar a produzir nele (como eu faço) sugiro procurar tutoriais do youtube pelas palavras-chave ‘softimage tutorial’. Outra opção é definir pequenos projetos de portfolio (como uma raposa mutante, ou uma pequena animação, por exemplo) e buscar o conhecimento específico para realizar tal projeto. Fica mais fácil do que tentar passar por tooodas as possibilidades da ferramenta. O manual (help) é bem objetivo e ajuda muito também, apesar de ser menos ‘mastigado’ que qualquer curso online, mas ao mesmo tempo te faz aprofundar mais pelo método de tentativa e erro, que na minha opinião é o melhor método para 3d e animação. Ninguém acerta nada ‘de primeira’ nem após o curso mais detalhado. Lembrando que a idéia e a mensagem que você quer passar é sempre mais importante que a ferramenta que vai usar. Criação, esboço ou roteiro primeiro, e ferramenta depois. Isso vale para as peças de portfolio também, por menores e mais simples que sejam 🙂

  • Leonardo Pinheiro

    Eu consigo assistir as aulas de 3D com softimage utilizando o Maya e mesmo assim conseguir fazer tudo o que for dado no curso? É um dos únicos jeitos que vejo para fazer este curso, já o programa foi descontinuado pela Autodesk e que não consigo ativar o Trial de 30 dias do software.

    • Vinicius Vinci

      A útima versão do Softimage para estudantes era válida por 3 anos, mas pelo jeito a Autodesk a removeu para favorecer (obrigar) os usuários a adotarem o Max ou o Maya:
      https://www.autodesk.com/education/free-software/featured 🙁

      Recomendo que encontre o Softimage por fontes alternativas, ou aguarde os cursos de Maya, pois a tradução entre as ferramentas não é idêntica e muitos recursos são específicos de cada software.

      Para evitar futuras sabotagens que ocorrem com softwares proprietários, como essa aquisição do Sofimage pela antiga concorrente Autodesk para obter monopólio de mercado, você pode optar pelo Blender, que inclusive tem uma opção de layout para ex-usuários do Softimage. O Blender é open source e nunca será cobrado ou descontinuado, ao menos que toda a comunidade de desenvolvedores (open source) do Blender desapareça no dia do arrebatamento ou no próximo cataclisma do planeta Terra. x’D

      https://www.blender.org/

  • systemSki Poziv (sys_c4ll.dll)

    O real problema é o mercado de trabalho. Porque todo artista 3D, independente se é de ambiente, conceito, generalista, absolutamente TODOS que eu encontrei até agora incentivam nessa área, falando que não há problemas com o mercado, mas eu vejo que todos também são freelancers e que lançam cursos online, como esse site por exemplo. Minha dúvida é: Eu posso me dedicar nessa área e lá para a frente ter um emprego sólido ou terei de passar o resto dos meus dias esperando encomendas como um vendedor que depende totalmente do cliente, época do ano, etc?

    Pergunto porque sou do tipo mais seguro, freelancer parar mim não não funcionaria e as oportunidades no Brasil para essa área parecem realmente muito verdes (diria que ainda nem deram frutos), as empresas de game que tem aqui são indies e isso não é muito esperançoso. Gostaria de saber se é possível se profissionalizar nessa área e ter um emprego sólido, com carga horária, CLT, etc. Ou terei de usar minha criatividade e lançar cursos ensinando a usar determinados programas?

    P.S.: Não é questão de se identificar com a área, ou dificuldade de expressar-se, é basicamente essa de emprego.

    Obrigado pela atenção, att;

    • Vinicius Vinci

      Posso não ser a melhor pessoa para responder a esta pergunta, já que nunca trabalhei no mercado de games, e nem pretendo. Apesar de admitir que devo ao jogo ‘Doom’ e ao ‘Duke Nukem’ minha curiosidade inicial para posterior ingresso no mundo de 3d e animação.

      Sobre ‘tooodos’ os artistas digitais serem instrutores, discordo, provavelmente porque minha amostra estatística é pequena, ou por eu preferir evidências anedóticas: “A estatística pode provar tudo, menos a verdade”. Conheci e mantenho contato com no máximo cinquenta colegas de profissão e destes apenas dois são instrutores. Um deles contratado fixo, outro freelancer que dá cursos entre um projeto e outro. Talvez você trabalhe numa escola online e por esse motivo só conheceu profissionais de 3d que também são instrutores.

      Segurança também nunca foi minha meta (que está mais para a metafísica). Apesar de ter trabalhado fixo em algumas empresas, por vários anos, sempre negociei os horários para que fossem o mais flexíveis possíveis, contanto que eu entregasse os projetos. Esse acordo sempre funcionou. Às vezes eu folgava de meio de semana ou trabalhava de final de semana, dependendo do humor, respeitando apenas o prazo de entrega. Nunca sequer tirei carteira de trabalho (e nem de habilitação!). Muitos freelancers o são por ser esta a escolha mais compatível com seu estilo de vida, e não por falta de opção em seguir carreira como funcionário que bate cartão e tem horários de fábrica – herança funesta da última revolução industrial, assim como os currículos rígidos e testes padronizados do sistema educacional atual. A carga horária de atividades criativas é incomensurável. Pergunte para qualquer programador se eles produzem ‘x’ linhas de código em ‘y’ tempo para executar a idéia ‘z’, e receberá um sorriso sarcástico como resposta, na maioria das vezes. Se quiser saber mais sobre as estranhas criaturas que vivem fora da CLT, recomendo o esmaecido e colorido livro do Richard Florida, “The Rise of the Creative Class”. Antigo, porém atual:
      http://www.goodreads.com/book/show/60042.The_Rise_of_the_Creative_Class

      Empregos ‘sólidos’ às vezes fazem profissionais inseguros, que acabam dependentes demais da criatividade dos empregadores em vender projetos e delegar tarefas. Em vez de enchergar por essa dualidade ‘empregador-empregado’, ou mesmo a de ‘vendedor-cliente’, procure um caminho intermediário como inventor e produtor. Você pode utilizar seu conhecimento e determinação para resolver um problema humano qualquer, e em contrapartida ter retorno por isso. Caso não tenha nenhuma idéia no momento, pode se inscrever em concursos para aplicações do potencial de 3D, AR ou VR, para alguma utilidade que não seja mero entretenimento, como este prêmio aqui da NVIDIA:
      http://www.roadtovr.com/nvidia-gtc-vr-content-showcase-award-30k-cash-prizes-non-gaming-applications/

      Caso resolva se dedicar a algum problema da humanidade que pode ser beneficiado com seu conhecimento de computação gráfica, então sugiro que comece pelos maiores, lembrando o paradoxo do inventor:
      https://en.wikipedia.org/wiki/Inventor%27s_paradox

      Respondendo à questão, é possível sim se profissionalizar nesta área, vide muitos dos meus conhecidos que não são nem nunca foram instrutores, e trabalham fixo ou como freelancers há quase duas décadas. Que eu saiba nenhum morreu ainda de inanição nem fez greve de fome para protestar contra a relativa desregulamentação do ofício (brincadeira). x’D

      Sobre o mercado de games, que nem é minha praia, vou deixar um prognóstico alentador, lembrando antes que “O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.”:
      https://www.forbes.com/sites/charliefink/2017/03/07/the-future-of-virtual-reality-isnt-your-living-room-its-the-mall/#3e4efe7b3f36

      Desculpe os artigos em inglês, mas não encontrei similares em português.

      systemSki Poziv (sys_c4ll.dll), seu heterônimo não soa muito visual ou intuitivo, que é um pré-requisito místico nesta área. Já cogitou usar sua criatividade para fazer um portfólio e apresentar para clientes em potencial?

    • Vinicius Vinci

      Resposta ao comentário deletado:

      Oi P(аул)o(Азев)ziv.dll, heterônimo de eu sei bem quem (e óbvio que já sabia quando escrevi a longa resposta) x’D

      Também desprezo Picasso… e não dou muita bola pro Van Gogh nem pra maioria que veio depois dessa fase ‘arte degenerada’, embuste pro real mercado de falsa arte. E para fins de relações públicas e motivação dos neófitos aqui do blog, prefiro a persona L’ARTISTE mesmo, do que a de mero profissional-operário-padrão. Apesar de achar ambas apenas meras Personas (no sentido Junguiano da palavra) e absolutamente dispensáveis como qualquer arte pela arte em si, quando destituídas do componente humanista e integral, pra não dizer do componente esotérico necessário à expressão dos conteúdos do inconsciente, que é o propósito maior de qualquer arte, inclusive da literatura, bem além da servidão ao mercado que enche as prateleiras de simulacros sem alma. Há mais beleza no hermético do que no exotérico, na minha censurável opinião. O L’ARTISTE pelo menos turva a água para parecer profundo, enquanto o profissional-operário-padrão se contenta com águas rasas e devidamente esterelizadas. Um toque de Ocultismo aqui outro ali sempre é saudável para tornar menos insossa a comunicação hodierna, ainda mais nesse nosso Zeitgeist de ingênuo PositivismoLógico_3.0.dll. Ah, também não creio em metafísica(s), mas que ela(s) existem, ela(s) existe(m).

      Твой ход, Псевдоинтеллектуал(com.br)!

      😉

    • Vinicius Vinci

      Talvez eu não seja a melhor pessoa para responder a esta pergunta, já que nunca trabalhei no mercado de games, e nem pretendo. Apesar de admitir que devo ao jogo ‘Doom’ e ao ‘Duke Nukem’ minha curiosidade inicial para posterior ingresso no mundo de 3d e animação.

      Sobre ‘tooodos’ os artistas digitais serem instrutores, discordo, provavelmente porque minha amostra estatística é pequena, ou por eu preferir evidências anedóticas: “A estatística pode provar tudo, menos a verdade”. Conheci e mantenho contato com no máximo cinquenta colegas de profissão e destes apenas dois são instrutores. Um deles contratado fixo, outro freelancer que só dá cursos entre um projeto e outro. Talvez você trabalhe numa escola online e por esse motivo só conheceu profissionais de 3d que são também instrutores.

      Segurança também nunca foi minha meta (que está mais para a metafísica). Apesar de ter trabalhado fixo em algumas empresas, por vários anos, sempre negociei os horários para que fossem o mais flexíveis possíveis, contanto que eu entregasse os projetos. Esse acordo sempre funcionou. Às vezes eu folgava de meio de semana ou trabalhava de final de semana, dependendo do humor, respeitando apenas o prazo de entrega. Nunca sequer tirei carteira de trabalho (e nem de habilitação!). Muitos freelancers o são por ser esta a escolha mais compatível com seu estilo de vida, e não por falta de opção em seguir carreira como funcionário que bate cartão e tem horários de fábrica – herança funesta da última revolução industrial, assim como os horários de aulas e testes padronzados do sistema educacional atual. A carga horária de atividades criativas é incomensurável. Pergunte para qualquer programador se eles produzem ‘x’ linhas de código em ‘y’ tempo para executar o projeto ‘z’, e receberá um sorriso sarcástico como resposta, na maioria das vezes. Se quiser saber mais sobre as estranhas criaturas que vivem fora da CLT, recomendo o esmaecido e colorido livro do Richard Florida, “The Rise of the Creative Class”. Antigo, otimista demais às vezes, porém ainda atual:
      http://www.goodreads.com/book/show/60042.The_Rise_of_the_Creative_Class

      Empregos ‘sólidos’ às vezes fazem profissionais inseguros, que acabam dependentes demais da criatividade dos empregadores em criar projetos e delegar tarefas. Em vez de enchergar por essa dualidade ‘empregador-empregado’, ou mesmo a de ‘vendedor-cliente’, procure um caminho intermediário como inventor. Você pode utilizar seu conhecimento e determinação para resolver um problema humano qualquer, e em contrapartida ter retorno por isso. Caso não tenha nenhuma idéia no momento, pode se inscrever em concursos para aplicações do potencial de 3D, AR ou VR, para alguma utilidade que não seja mero entretenimento, como este prêmio aqui da NVIDIA:
      http://www.roadtovr.com/nvidia-gtc-vr-content-showcase-award-30k-cash-prizes-non-gaming-applications/

      Mas caso resolva se dedicar a algum problema da humanidade que pode ser beneficiado com seu conhecimento de computação gráfica, então sugiro que comece pelos maiores, lembrando o paradoxo do inventor:
      https://en.wikipedia.org/wiki/Inventor%27s_paradox

      É possível sim se profissionalizar nesta área, vide muitos dos meus conhecidos que não são nem nunca foram instrutores, e trabalham fixo ou como freelancers há quase duas décadas. Que eu saiba nenhum morreu ainda de inanição nem fez greve de fome para protestar contra a relativa desregulamentação do ofício (brincadeira). x’D

      Sobre o mercado de games, que nem é minha praia, vou deixar um prognóstico alentador, lembrando antes que “O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.”:
      https://www.forbes.com/sites/charliefink/2017/03/07/the-future-of-virtual-reality-isnt-your-living-room-its-the-mall/#3e4efe7b3f36

      Desculpe os artigos em inglês, mas não encontrei similares em português.

      systemSki Poziv (sys_c4ll.dll), já pensou em usar sua criatividade para fazer um portfolio e apresentar para potenciais clientes?

  • systemSki Poziv (sys_c4ll.dll)

    Obrigado pela resposta. Minha pergunta provinha de uma pesquisa rápida em sites de empregos e um retorno medíocre do que estava procurado me fez perguntar-lhe. Infelizmente essa ausência de ordem me causa dor de cabeça, acredito ter nascido na época errada pois sou admirador da ordem e progresso, da hierarquia, do respeito e do bom senso, sentimentos que infelizmente hoje em dia vejo jogados na lama. Mas voltando ao assunto, sou um homem casado e como tal não posso me dar ao luxo da boa vontade alheia, freelance é um método demasiado, digamos… “Jovem” para minha idade e responsabilidades.

    Em relação ao meu nome sys_call é uma chamada usada em programação. Já systemSki Poziv, bem, não vou ousar abusar/insultar da sua capacidade artística de observação, dando o significado lógico da mesma x’D. Minha ideia não é soar visual, minha ideia é soar inteligente. É por isso que tenho certeza de uma carreira promissora num ambiente onde minhas habilidades lógicas são consideradas e não meu jeitinho de fazer as coisas coloridinhas, como diriam alguns. Ou como aquele desenhista perdido que produz conteúdo para o youtube diz: “Seja profissional, não seja o L’ARTISTE”, o que -pela forma pejorativa de me referir ao mesmo- deu para notar minha antipatia com esse conceito, pois sou totalmente contra a função sem amor. Acredito que expressão de arte não deve ser de qualquer jeito, deve exprimir o que se sabe com aquilo com o que se pensa. Ao meu ver Van Gogh é o que eu desejo, já Pablo Picasso é o que abomino.

    Não é da minha conta, mas seu nome, acredito, faz alusão a Leonardo da Vinci, um conhecido boêmio que provou em 500 anos como a propaganda é funcional! Isso, meu caro, também não é “visual.” -se me permite.

    Uma coisa que observo e abomino -tanto quanto o no-sense da “l’art”- nos que se dizem artistas, é essa infantil expressão de ser. Bem como a habilidade para procrastinar em algo tão rápido e fútil como uma resposta a uma dúvida.

    Agradeço seu retorno e sua resposta e todas os sacrifícios/consequências para/por tal; adeus.

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