Alura entrevista: Felipe Alencar

(Última atualização em: 5 de julho de 2016)

Trabalhar no exterior é um sonho de muitos desenvolvedores. Além de bons salários e oportunidades de crescimento na carreira, muitos buscam isso pela possibilidade de conhecer conhecer novas culturas, aprender outro idioma e toda a bagagem que vem junto com uma experiência internacional.

Felipe, um de nossos ex-alunos, saiu do Brasil para trabalhar na Bélgica. Nesse post ele nos conta um pouco sobre como é a vida dele lá e os desafios que ele teve que enfrentar para chegar onde está.
Curioso? Vamos lá 🙂

Nome completo?
Felipe Alencar Magalhães.

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Mora em que cidade atualmente?
Bruxelas, na Bélgica.

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Qual seu cargo?
Ao pé da letra é “Application Developer”, mas comparando com o que temos no Brasil seria “Web Developer”.

Trabalha com que tecnologias?
ColdFusion, Mach-II, Adobe LiveCycle, Java, Oracle, HTML, CSS, JavaScript, jQuery, SSH, SOAP, Hibernate e Spring.

Seus hobbies?
Correr, futebol e jogar os velhos clássicos da Nintendo.

Como você conseguiu o emprego na Bélgica?
Eu estive procurando emprego fora desde meados de 2014. Utilizei sites de busca de emprego regionais (específicos para EUA, Europa, Nova Zelândia e Austrália).

O processo foi dificil?
Foi certamente o processo mais difícil pelo qual já passei. Tive que preencher um currículo no padrão que o cliente exige, depois realizei conversas por telefone, exames online, entrevistas pessoalmente no escritório do cliente onde estou alocado e, durante esta entrevista, tive de responder um questionário técnico, praticamente um pequeno exame.

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Quanto tempo demorou mais ou menos desde que iniciou o processo até se mudar de verdade?
Bem, a história aqui é um pouco complicada. Eu havia participado de um processo seletivo para esta mesma empresa em setembro de 2014, preenchi o currículo no modelo do cliente mas fui recusado pois a descrição da vaga exigia alguém com pouco tempo de experiência a mais do que eu. Em abril de 2015 recebi um novo contato da empresa, me informando que havia uma nova vaga aberta e que desta vez o tempo de experiência exigido se encaixava com o meu currículo.

Então realizei todas as etapas do processo e em 1 mês e meio obtive a resposta positiva da empresa. Então começou o processo de retirada do visto, para este processo eu levei 2 meses e tão logo eu adquiri o visto, a passagem foi emitida e eu me mudei para a Bélgica. No total eu levei, desde o “contato inicial”, 3 meses e meio até me mudar e iniciar no emprego aqui.

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Como é a vida aí, Felipe? Tem algum contra?
A vida aqui em Bruxelas é muito tranqüila. Há uma sensação de segurança que eu não possuía no Brasil (mesmo com os acontecimentos recentes). É possível ver pessoas andando sozinhas à noite, mesmo em ruas menos movimentadas, sem medo de serem assaltadas. O transporte público atende bem e por um preço muito justo, os preços dos produtos em geral também são bem baratos se compararmos com o poder aquisitivo no Brasil. De “contras” eu destaco que a cidade não é das mais limpas da Europa (digo na área Central) e também existe uma certa quantidade de mendicância aqui, devido ao país ter uma política relativamente tranqüila para receber imigrantes.

E o processo de adaptação, foi tranquilo também?
A adaptação aqui tem sido muito tranqüila, visto que trabalho em um escritório que tem funcionários de muitos países. A cidade, no geral, também tem muita gente de fora, então as pessoas compreendem bem o que é estar num país novo e se mostram – em sua grande maioria – receptivas e prestativas. Outra coisa à qual tenho tentado me adaptar são o clima e a variação na duração dos dias e noites também, aqui venta muito, nos piores dias de inverno, neva, e nos dias mais quentes do verão a temperatura atinge 30 graus.

No período mais alto do inverno o dia começa a clarear por volta de 8:30 e escurece por volta das 17:00, já no verão o sol aparece por volta das 6:00 da manhã e só se põe cerca de 22:00. A diferença de horário para o Brasil varia: quando ambos países não estão no horário de verão, a diferença fica em 4 horas; ao iniciar o horário de verão do Brasil, a diferença diminui em 1 hora; e quando o DST (Daylight Saving Time) começa aqui, a diferença aumenta em 1 hora. Então o contato com os amigos e família no Brasil é um pouco diferente: pela manhã o pessoal todo está dormindo e na hora em que você estiver indo dormir, as pessoas provavelmente estarão saindo do trabalho. Fatalmente você vai acordar com várias mensagens não lidas no celular.

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E o salário, é compatível com os daqui?
A área de TI possui uma faixa salarial que permite uma vida tranqüila, até porque o custo de vida é baixo se compararmos ao Brasil (para servir de base comparativa, antes eu morava no Rio de Janeiro, certamente uma das cidades mais caras do Brasil). Não espere salários exorbitantes aqui pela Bélgica (e em grande parte da Europa de um modo geral), aqui a diferença salarial entre profissões que exijam uma menor formação e a área de TI não é tão alta como no Brasil (o que reflete numa menor diferença social entre classes).

E pra arranjar moradia, como foi?
Levei menos tempo para encontrar um apartamento aqui do que quando me mudei para o Rio de Janeiro. Em 1 mês eu já estava de casa nova. A burocracia é um pouco maior do que no Brasil, pois você tem que contratar um seguro contra incêndio (e furto, caso queira) e registrar o contrato de aluguel na prefeitura da região onde você mora. Eu havia iniciado as buscas por apartamentos no Brasil, através de sites de aluguel de imóveis, mas ao chegar aqui descobri que no cliente onde trabalho havia uma espécie de “Classificados” interno, onde acabei encontrando o local onde moro atualmente. Ainda tive sorte de encontrar um apartamento bem novo e em um prédio com portaria e elevador. A grande maioria dos prédios em Bruxelas não são altos, têm no máximo 4 andares, sem portaria e elevador.

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O ambiente de trabalho é legal?
O ambiente no trabalho é muito bom. A receptividade dos companheiros de escritório é muito boa, os chefes compreendem as necessidades de se ausentar para regularizar a sua situação no país (pegar identidade, abrir conta em banco, requisitar o plano de saúde, procurar móveis, contratar uma nova operadora de telefonia…).

Há um diálogo freqüente para manter o feedback entre as camadas do setor de desenvolvimento, as dificuldades que surgem no meio do caminho são compreendidas sem problemas e os profissionais são muito abertos a ouvirem opiniões.

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Algum curso no Alura que te ajudou diretamente a conseguir essa vaga?
Para quem pretende fazer cursos na Alura, eu digo: não percam a oportunidade. Recrutadores miram muito no que você oferece de conhecimento em seu LinkedIn e ter uma boa gama de cursos pode ser fundamental para que você seja encontrado e receba ofertas interessantes.

Como o Alura emite o certificado online, disponibilizando uma URL, você pode adicionar os certificados de conclusão no seu perfil. Dentre os cursos que fiz no Alura e que atraem até hoje os olhares de recrutadores, me fazendo receber constantes propostas, foram: AngularJS, Mean Stack e as trilhas de Linux, Build & Versionamento e Entrega Contínua do Curso de Infraestrutura.

E aí, gostou?
Se quiser ainda mais dicas de trabalho no exterior, ouça o podcast que gravamos junto com o Jovem Nerd 😀

Content Editor at Alura and Software Developer

  • André

    A dúvida que fica é: Nesse emprego atual, você trabalha com quais tecnologias?

  • DIOGO EMANNUEL FERREIRA RODRIGUES

    Muito massa, parabens

  • Pedro Lira

    Muito bom.
    Pretendo que nos proximos anos seja eu conseguindo fazer o mesmo.

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