Um panorama sobre o design da Apple — O design que mudou os padrões de consumo

(Last Updated On: 31 de outubro de 2017)

Se existe alguma coisa que profissionais do mundo inteiro buscam em seu trabalho é ter a “qualidade Apple” para aplicar design em seus produtos, interfaces e aplicativos.

Você também já se pegou pensando em como encontrar soluções objetivas, elegantes e centradas no usuário como faz a empresa californiana? Entender o design da Apple é um estudo essencial sobre como transformar ideias em produtos que facilitam e encantam o usuário ao primeiro clique, ao primeiro toque.

Foi para te ajudar que criamos este artigo completo, com tudo o que você precisa saber sobre o design da Apple — desde seu início até se tornar uma referência de design para o mundo. Vamos lá?

Apple: uma empresa de tecnologia com vocação para o design

O ano era 1973. Steven Paul Jobs, um estudante que havia largado a faculdade depois de um semestre, ainda perambulava de vez em quando pelo campus da Reed College, no Oregon. Depois de ter experimentado o ensino formal, achou que aproveitaria melhor as ideias que ferviam em sua cabeça se buscasse classes que fossem realmente significativas para ele.

Jobs queria aproveitar melhor o seu tempo, sem saber exatamente o que faria com todo esse conhecimento. O que ele queria era ter novas experiências.

Foi nesse período que o estudante por vocação buscou cursos dentro da faculdade que não o prendessem na rigidez do ensino superior. Uma dessas, a mais famosa de todas, foi a aula de caligrafia ensinada por um monge trapista.

Isso mesmo, caligrafia feita à mão. Naquela época, computadores ainda eram grandes armários cheios de válvulas que só empresas gigantes podiam se dar ao luxo de ter. Mas, como o próprio Jobs explica em seu famoso discurso de formatura em Stanford, ele só veria o valor dessas aulas, até então um interesse pessoal, dez anos mais tarde, quando o primeiro Macintosh estava sendo desenvolvido.

Jobs bateu de frente com os desenvolvedores da Apple por uma questão que parecia boba: ele queria que o novo sistema operacional tivesse fontes com curvas que se assemelhassem à caligrafia. Até então, todas as letras dos computadores eram pixeladas e monoespaçadas — tinham todas a mesma aparência.

Por mais que pareça um detalhe, essa pequena característica definiu o que seria a Apple no futuro. As fontes em curva pareciam um luxo dispensável para muitos, mas para Jobs era uma visão de design: quanto mais a sua interface se aproximasse da realidade do usuário, se tornasse familiar, intuitiva e elegante, mais prazer ele teria de usar o computador e mais facilidade a empresa traria para a vida das pessoas.

Pensando em design desde a concepção

Essa fixação por design e por uma boa experiência do usuário acompanha a Apple desde seus primeiros dias de existência, quando a empresa que hoje tem o maior valor de mercado no mundo era apenas uma garagem de subúrbio americano ocupada por dois apaixonados por tecnologia.

Steve Jobs e Steve Wozniak se destacaram por vender computadores fechados (o lendário Apple I), enquanto a cultura dessas pequenas empresas na época era vender as peças para que o seu público-alvo, entusiastas de computadores, tivessem o prazer de montá-los em casa.

Até hoje, a Apple recebe críticas por ter sistemas muito fechados, mas essa foi a grande sacada que popularizou os computadores no fim do século passado. Os dois Steves apostaram que, um dia, cada pessoa comum teria o seu próprio PC e eles não teriam esse interesse por aprender a montar e instalar uma máquina. Os designers de produto, de sistema e de interface teriam que ser pensados em conjunto para que qualquer pessoa tirasse o computador da caixa e começasse a usar imediatamente.

Usando design para fugir da falência e se tornar a empresa de maior valor no mundo

E, desde então, a Apple é uma empresa movida por design. Esse é o legado de Steve Jobs, de Steve Wozniak e de tantos outros profissionais com esse perfil que passaram pela empresa.

Um grande exemplo disso é a contribuição do designer Jonathan Ive para o ressurgimento da Apple na década de 1990. Sim, a Apple já esteve à beira da falência. Desde 1992, quando ele foi contratado, até 1998, quando Steve Jobs voltou à empresa e se uniu a ele para mudar a imagem da companhia, Jony Ive reconstruiu a fundação de produto aliado à experiência que tornaria a Apple uma referência no futuro.

Essa é uma forma de olhar para a história da empresa de uma forma única. O valor da maçã foi construído pelo design. OSX, iPod, iPhone, iPad, iMac, Macbook, Apple TV… Todos esses dispositivos têm uma coisa em comum: eles unem ideias, conceitos, tecnologias e materiais existentes de uma forma inovadora para encantar e facilitar a vida do usuário.

E, se você parar para pensar, essa é exatamente a definição de design.

Design da Apple: os conceitos que tornam essa empresa única

Então, se é para falar no assunto, vamos definir o que torna o design da Apple tão destacado dos concorrentes. Afinal, não é por falta de dinheiro, de talento profissional ou pesquisa tecnológica que outras empresas não alcançam o nível de refinamento e experiência da empresa californiana.

A diferença, na verdade, tem a ver com a cultura de UX. Quando a usabilidade rege seu pensamento criativo, coisas incríveis podem acontecer. Veja quais são esses conceitos cravados fundo no coração de todos os funcionários da Apple:

Buscando a perfeição

O caso das fontes em curva no primeiro Macintosh são um exemplo da busca pela excelência em design que move cada novo desenvolvimento de produto dentro da empresa. Não se trata de supervalorizar seu aparelho ou usar o design como estratégia de venda, mas é uma forma de sempre pensar em como melhorar a experiência do usuário mesmo nos menores detalhes.

Steve Jobs era conhecido como um chefe implacável, insistente e até teimoso para incluir as funções que ele desejava ver em seus produtos. Embora sua conduta fosse questionável em alguns pontos, não dá para negar que essa busca obsessiva pela perfeição contribuiu para o desenvolvimento do design como ferramenta de UX em todas as áreas tecnológicas.

Não existe fórmula para uma boa usabilidade em smartphones, um software de computador ou um site na internet. A experiência do usuário sempre vai ser o resultado de teoria de design com um toque de subjetividade para surpreender e encantar.

Para conseguir esse objetivo, só existe uma forma: conceituar, testar, analisar seus resultados e repetir. Esse é o trabalho de um designer em busca do sucesso e o legado que a Apple deixa para a profissão.

É claro, ninguém consegue um trabalho perfeito, mas é a busca por sempre melhorar que destaca um profissional da média do mercado em que ele está inserido.

Cultuando o pensamento fora da caixa

Quando Steve Jobs e outros funcionários da Apple entraram no escritório da Xerox no início dos anos 1980, eles foram apresentados a um protótipo que a própria empresa e outras gigantes como a IBM tinham descartado por não terem visto muita utilidade prática naquela tecnologia.

Qual era esse dispositivo inovador? Uma caixinha de plástico com um botão, com a qual o usuário podia controlar uma seta na tela do computador. Aquele retângulo bege ligado por um fio lembrava muito um ratinho de estimação e por isso ele ganhou o apelido de mouse.

O mouse foi o dispositivo que permitiu a criação das interfaces gráficas, ou GUIs, que resultaram na criação do MacOS e do Windows e modelaram o Design Gráfico como conhecemos hoje. Mas por que algo tão revolucionário foi descartado por tantas empresas?

A resposta a essa pergunta define o que é design e define o que se tornou o slogan da Apple por muito tempo: Think Different, ou pense diferente, em português.

Você já deve ter percebido que em todo lançamento de um novo iPhone os comentários são muito parecidos. A maioria fica indignada pela empresa apresentar como novidade tecnologias que já existem há mais tempo em outros celulares.

Mas a ideia que a Apple quer passar não é exatamente essa. Criar e implementar uma tecnologia não é suficiente, ela precisa estar ali em função do usuário final, de uma experiência coerente e satisfatória.

O design é e sempre foi a capacidade de aliar forma e função em torno de um objetivo: seja facilitar a vida das pessoas, criar formas de consumir conteúdo ou passar uma mensagem.

Voltando ao mouse, onde a Xerox enxergou uma tecnologia curiosa sem valor de mercado, a Apple viu uma oportunidade de tornar o acesso e uso dos computadores universal, independentemente da familiaridade do usuário com a tecnologia.

Isso é pensar diferente, é praticar o design. Juntar referências de uma nova forma, que surpreenda o público, crie uma reação emocional e uma resposta imediata.

Tirando da caixa pronto para usar

E por fim, de todos os objetivos da prática de design, o que torna a Apple única quando falamos em usabilidade é a busca por simplicidade, intuição e uma experiência controlada.

Falando outra vez de uma característica muito controversa da empresa — de dispositivos fechados, com pouca customização e possibilidade de intervenção do usuário na experiência —, ela deve ser enxergada por designers não como um defeito, mas a fórmula para tornar a UX consistente e entregar ao público sua visão da forma mais completa possível.

Você já percebeu que as empresas com identidade mais forte no mundo são aquelas que controlam mais a sua experiência? Disney e Nintendo são exemplos de grandes companhias que preferem limitar suas interfaces e dispositivos (ou parques) para garantir que todos os usuários terão o mesmo encantamento quando entrarem em contato com a marca.

O design anda sempre em uma linha tênue entre ser um guia e ser interativo. Os dispositivos da Apple podem ser mais engessados, mas qualquer pessoa consegue usá-los sem muita dificuldade em 5 minutos depois de ligá-los pela primeira vez.

Ou seja, o design da Apple é conceituado em volta da usabilidade e praticidade, a essência dessa profissão. E a prova de que esse tipo de pensamento funciona e cria uma conexão emocional com o público é o quanto o mercado tenta reproduzir essas características a cada novo produto.

Efeito Apple: como a empresa mudou o mercado e o consumo no mundo inteiro

Pode parecer estranho agora, mas houve um tempo em que a ideia de um ter um computador pessoal em casa parecia um absurdo. Houve um tempo também em que levar mais de quinze músicas para ouvir durante a caminhada era impensável e que smartphones eram coisa de executivos de Wall Street.

Uma a uma, a Apple vem nas últimas décadas quebrando teorias de mercado e mudando a forma como nós consumimos tecnologia. Veja como ela fez e ainda faz isso, usando seus principais sucessos como exemplo:

Macintosh e o foco total no usuário

Antes da Apple, PCs eram feitos para entusiastas e profissionais da computação. Para conseguir um simples acesso à pasta onde estavam seus documentos, era preciso conhecer a linha de comando certa para chegar aonde queria.

O exemplo do mouse, que tornou a interface gráfica possível, é um exemplo de como a empresa muda o mercado a cada nova revolução. Ao criar ainda no Apple II e depois aprimorar no Macintosh a usabilidade com foco no usuário, Steve Jobs e Steve Wozniak quebraram a barreira que existia entre a tecnologia e o público comum.

Foi a partir daí que computadores puderam tomar conta do mundo, o que, consequentemente, tornou a internet possível anos depois. O consumidor não precisava mais de conhecimento técnico para manipular a ferramenta, logo os PCs puderam se tornar peças vendidas em supermercados, lojas de departamento e catálogos.

Desde então, a busca das empresas do ramo é por facilitar a vida das pessoas. Até hoje, esse é o argumento de venda de fabricantes de smartphones, computadores e wearables. O design voltado para a experiência do usuário tornou possível a era tecnológica em que vivemos.

iPod e a vontade de mudar o mundo

Durante os anos 1990, a Apple caiu no ostracismo e quase foi à falência exatamente por perder sua essência: a vocação para tornar o design uma ferramenta de transformação.

Não é como se todas as peças de design que você cria precisassem ser significativas a ponto de mudar a vida das pessoas, mas o objetivo deve ser esse. Facilitar, encantar, resolver, reinterpretar, são os verbos que movem a humanidade.

O iPod é um grande exemplo de como boas ideias de design podem transformar o mercado e o consumo de uma mídia apenas por buscar solucionar problemas realmente relevantes para o público.

A Sony já havia revolucionado o mercado ao criar o Walkman, primeiro dispositivo portátil para ouvir música. Mas, pelas limitações da época, havia uma falha grave em seu design: as fitas cassete tinham uma qualidade baixa de som e cada uma suportava no máximo algumas poucas faixas. O Discman resolveu o problema da qualidade usando CDs, mas eles eram péssimos para a portabilidade, pelo tamanho e por interromperem a música a qualquer impacto.

A ideia da Apple, renovada pela volta de Steve Jobs no fim dos anos 1990, era usar design de produto para resolver o problema de uma vez por todas. E foi isso que aconteceu. Com a chamada atrativa de mil músicas no seu bolso, o iPod não só solucionou a portabilidade da música como mudou a forma de consumir a mídia em todo o mundo. O iPod foi a semente que possibilitou os aplicativos de streaming hoje em dia.

iPhone e a experiência em primeiro lugar

E todas essas transformações podem ser resumidas nisto: a preocupação com experiência do usuário é o que possibilita que a tecnologia esteja tão presente em nossas vidas.

A interface entre humano e máquina caminha para ser cada vez mais direta e simplificada. Hoje em dia, podemos fazer uma pergunta para a Siri ou o Google Now e receber uma resposta em um segundo. Nossos dispositivos nos levam pelo melhor caminho entre casa e trabalho, nos ajudam a nos comunicar com parentes e amigos distantes e nos permitem assistir a um episódio de Game of Thrones junto a milhões de pessoas.

O iPhone original, se não foi o primeiro smartphone ou o mais capaz da sua época, com certeza foi o ponto de virada para a era mobile em que vivemos atualmente. Nenhuma tecnologia nele era nova, nenhum material exclusivo ou função que já não existia em outros aparelhos.

Mas a forma como a empresa criou o iPhone é emblemática para definir o que significa ser designer. Todas essas ideias estavam espalhadas pelo ar, mesmo que ninguém soubesse exatamente o que queriam de um smartphone para o futuro.

O que a Apple fez foi entender como juntar todas essas peças em um produto inovador, que facilitasse a vida das pessoas, encantasse com a sua experiência e que oferecesse um valor real para as suas vidas. Gostando ou não desses produtos, o design da Apple é um estudo fundamental para o profissional que deseja fazer a diferença no mercado e no mundo.

Referência em design: por que a Apple continua sendo a empresa a ser batida

O ano de 2017 marca os dez anos do lançamento do primeiro iPhone e até hoje o aparelho é a referência tecnológica no setor mobile. Como isso é possível? Se tornar referência no mercado não se refere apenas à qualidade de um produto, mas também à sua relação com o consumidor e como sua marca é percebida pelo grande público.

Portanto, para terminar este artigo, é bom definir os elementos de design que possibilitam um reinado tão extenso em uma indústria que muda tão rápido:

A criação de um paradigma

Quando se pensa em smartphone, se pensa em Apple. A grande vantagem de utilizar o design para resolver problemas de experiência é que sua solução se torna uma percepção de exclusividade, inovação e satisfação. Não importa muito quais são os novos recursos do aparelho ou as novas funções da interface; quem se apaixona pelo iPhone já foi convencido a comprar o próximo modelo.

O design significativo é aquele que muda paradigmas. 

Para quebrar o status do mercado, é preciso usar o que existe de referência para apresentar um trabalho inovador, que apresente um novo caminho de usabilidade ao público. 

O Design de Produto

Esse paradigma que tornou a Apple uma referência existe em duas pontas: o Design de Produto e o Design Gráfico. Mesmo que um complemente o outro, é possível separar os dois, começando pelo primeiro.

Um grande momento da conferência em que Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone é quando ele mostra os smartphones líderes da época e separa a tela pequena do enorme teclado que eles possuíam embaixo. Nesse momento ele afirma que esse espaço todo está sendo perdido.

Design se trata de otimizar usabilidade, fazer mais com menos elementos. A forma como o iPhone implementou essa solução da tela de toque ainda está dando forma ao mercado dez anos depois.

A busca por experiência do usuário, por facilitar a vida de uma pessoa ao máximo com o mínimo de recursos é não apenas uma referência, mas um legado da empresa para o mundo.

O Design Gráfico

Mas não é só nos aparelhos que essa filosofia criou paradigmas; a forma como a Apple enxerga a interface gráfica desde os anos 1970 é a prova de que o design pode e deve ser usado como uma fagulha para a transformação tecnológica e cultural.

A filosofia de UX voltada à praticidade, elegância e objetividade está em todos os produtos da Apple e dita os rumos da área no mercado. Desde a implementação das GUIs nos anos 1980, a facilidade com que se gerenciava suas músicas no iPod original até cada nova implementação do iOS no iPhone, a empresa se mantém uma referência no mercado porque sempre sugere formas mais intuitivas de passar mensagens, guiar o usuário e entregar uma experiência satisfatória.

Ao contrário do que muitas pessoas podem imaginar, o design não se trata de beleza em sua essência, mas de comunicar com eficiência, criar conexões emocionais e guiar as pessoas para que elas consigam atingir seus objetivos por conta própria. Uma boa experiência dá poder ao usuário e é assim que se sente qualquer pessoa que utilize um dispositivo da empresa.

O design da Apple é uma compilação de todos esses conceitos de produto, interface e comunicação e é por isso que, gostando ou não de sua filosofia e de seus aparelhos, entender como seus funcionários pensam é uma forma de aprimorar a sua relação com uma profissão tão incrível.

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