A profissional mãe

(Last Updated On: 18 de março de 2019)

Aproveitando o mês das mulheres, trouxemos um tema interessante: ser mulher, profissional e mãe. Como isso funciona?

Poderia começar esse texto falando de todos os tabus que soam até mesmo como clichês para a rotina da maternidade, mas a ideia aqui é colocar um relato pessoal especialmente no que diz respeito à volta ao trabalho.

Não importa quantas histórias contem sobre como é difícil conciliar esses dois papéis, cada uma sempre vai ser muito singular. Ainda assim, existem aí alguns desafios que costumam acontecer muito em comum com todas elas.

Ser uma boa mãe ou ser uma boa profissional?

O maior tabu sobre a maternidade nasce quando criamos essa divisão mental sobre a profissão e o papel de mãe. Parece uma divisão muito sensível que aponta uma enorme dificuldade em exercer bem os dois papéis ao mesmo tempo.

Existe um sentimento de culpa independente de qual das partes definimos como prioridade. Quer dizer, se decidimos voltar a nos dedicar ao trabalho surge o sentimento de culpa por não poder cuidar de perto de alguém que até então construiu um vínculo muito forte com a gente e com a nossa rotina.

Mas se decidirmos deixar a profissão com menos prioridade, sentimos culpa por ter dedicado tanto tempo de estudo e esforços que agora serão deixados de lado.

Tanto para mulheres quanto para homens existe uma necessidade de sentir-se produtivo, de enxergar um sentido para as atividades que exercemos, sejam elas quais forem.

Além disso, como citam Suzana Ayarza e Aline Prado da equipe de marketing do Google:

> “A questão cultural tem um peso enorme nesse comportamento. O ato de cuidar é inerente ao ser humano, seja qual for o gênero, mas a divisão convencional das funções nas famílias levou o homem a trabalhar fora de casa, e a mulher a criar os filhos e administrar a casa. Infelizmente, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho não trouxe a diminuição proporcional nas atividades domésticas.”

Existem muito mais degraus a considerar quando falamos nessa jornada dupla entre profissional e mãe.

E essa pode ser uma das questões que surgem para as mães que regressam ao trabalho. Só que, quando decidimos efetivamente voltar ao mercado profissional e nos ajustar a essa nova fase, precisamos considerar mais algumas coisas…

Produtividade na volta ao trabalho

Existem muitas pessoas que dizem conseguir retornar ao trabalho integralmente, focada nos objetivos que veio cumprir ao longo do expediente – às vezes seguido até de um segundo período como estudante – e, ao voltar para casa, voltam com 100% da sua atenção ao filho e atividades pessoais.

Bom, nem sempre esse é o caso…

Em um relato pessoal, poderia dizer que ansiava a volta ao trabalho pelo simples fato de gostar muito de me sentir produtiva, criando e entregando valor para a minha profissão.

Só que, ao retornar, o que parecia muito simples de repente tornou-se um momento de reflexão e adaptação um pouco mais intenso.

O ritmo parecia muito diferente. Os mesmos desafios de antes pareciam ter mudado de sentido e o apego a determinadas atividades ficou muito menos motivador.

Me perguntei: Por que será que isso está acontecendo? Sempre fui muito metódica quanto às minhas atividades, mas por algum motivo o lógico da teoria parecia muito menos lógico na prática.

Acabei me sentindo muito frustrada por não conseguir acompanhar o ritmo de todo mundo na mesma intensidade. Me cobrei (como uma característica da minha personalidade) e tentei usar meu tempo em casa para refletir e chegar a novos consensos, mas a rotina com um bebê de cinco meses me tirava toda a energia no fim do dia (momento que eu teria para fazer essa reflexão).

Tudo parece virar uma bola de neve e a adaptação que acreditei durar no máximo uma semana virou um mês. Nós criamos metas e mais metas sem ter a mínima noção de como isso vai se desenrolar no meio do caminho.

Um mês sentindo uma dorzinha interna e uma insistente vontade de chegar a algum lugar que fizesse mais sentido.

Um mês. Foi o que eu precisei para conseguir me ajustar. Algumas pessoas demoram menos, outras demoram mais, mas uma hora essa produtividade chega.

O mais difícil e o menos recomendado é a comparação. Olhamos para o lado e vemos diferentes tipos de mães trabalhando em ritmos frenéticos, lidando com tudo de forma super eficiente e acreditamos muito que precisamos ser assim também: “Se ela consegue, eu deveria conseguir.”.

Grande erro! Assim como existem personalidades diferentes, pessoas diferentes, gostos diferentes e até filhos diferentes, somos mães e mulheres diferentes e temos cenários familiares diferentes também. Por mais óbvio e clichê que isso possa parecer, na prática a dor do julgamento (muito mais o interno do que o externo) é complicadíssima de lidar.

Portanto, o primeiro passo para a produtividade é o foco. Esqueça as distrações de outras mães, mas não em um passe de mágica, exercite isso todos os dias. Se pergunte: “Por que eu estou me comparando? Minha realidade é a mesma que a daquela pessoa? Será que essa realidade que transparece é de fato o que acontece no dia a dia dela?”.

Nós vivemos desafios de formas diferentes e, como mulheres, enfrentamos muitas outras questões também. Cada uma em uma realidade diferente, ainda que com traços em comum.

Se cobrar talvez seja a coisa mais normal, o difícil é conseguirmos moldar essa cobrança para que traga algum valor ou motivação. Em pequenos passos, esse lugar chega.

Somos mães, mas somos muito profissionais também

Sabemos de todas as histórias sobre como profissionais mães temem o mercado de trabalho pelo simples fato de serem mães e como enxergam isso dentro da profissão.

Mas talvez o maior monstro que precisamos destruir é o da dúvida.

No início da carreira todos temos um pouco de medo e dúvidas se conseguiremos um emprego, se vamos nos encaixar, se conseguiremos entregar o valor que a empresa espera.

Só que, bem antes de pensar nessas questões, precisamos pensar em nós, mães, mulheres e profissionais. Você e eu sabemos nossas capacidades e conhecimentos da área.

Não chegamos até aqui por mérito de esforço e dedicação? Então, por que não valorizar isso? Quer dizer, o mundo vai continuar sendo um lugar complicado e assustador por muito tempo, mas nós temos muita capacidade e precisamos acreditar nisso. Somos profissionais!

Uma vez me disseram algo como: “Você já é a melhor mãe que o seu filho pode ter, independente de qualquer coisa” e também “Se você se preocupa em ser uma boa mãe, já é uma boa mãe”.

Essas duas frases me fizeram olhar mais para mim mesma como profissional, simplesmente porque consegui tirar um pouco da carga de “preciso ser perfeita em tudo” para “estou dando o melhor de mim”. Isso importa para mulheres, mães e especialmente para qualquer tipo de profissional.

Para as mães que estão nessa mesma situação em que eu estive, lembrem-se: “Você está fazendo o seu melhor!” 🙂

FIQUE POR DENTRO

Curiosa de todas as coisas, mas especialmente especialmente dedicada aos temas de UX Design, Design digital e Front End. LinkedIn | Twitter | Medium

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